Educomunicação

Comunicação e educação andam juntos? Deveriam, mas nem sempre essa interface ocorre como poderia. O processo de comunicação é desigual, nem sempre há compartilhamento de objetivos em comum e o diálogo pode ser repleto de ruídos. A falta de acesso a ferramentas (seja um computador, seja o acesso a internet)  dificulta o processo, mas essas ferramentas nem sempre são sinônimo de que a comunicação e os processos educativos e mobilizatórios vão funcionar.

Essas questões fazem parte do universo de reflexões do univero da Educomunicação, campo de reflexões e práticas que conectam as áreas de Educação e de Comunicação, destacando e potencializando essa interface, expondo fragilidades no diálogo entre atores sociais diversos, construindo reflexões e formas de se superar os desafios inerentes a esse diálogo-interação.

O termo é cada vez mais difundido entre educadores e comunicadores, ganhando espaço nos programas e projetos envolvendo mobilização social e educação, em qualquer área temática. 

Como reconhecer a Educomunicação em projetos e programas? Quando há alguns dos elementos*:

1) Reflexão crítica sobre a produção dos meios de comunicação - Proposição da leitura sobre a mídia, o que ela divulga. O olhar da Educomunicação a partir deste princípio propõe também o cuidado com a produção de outras mídias, como cartilhas e outros materiais educativos ou com proposta de mobilização de causas. Sim, cartilha também é mídia! E é preciso avaliar se essas produções estão mesmo comunicando, e como estamos acessibilizando informação de forma a difundir conhecimento.

2) Mediação tecnológica da comunicação  – Inclui a expressão dos atores sociais produzindo seus próprios meios, coletivamente, sejam jornais, programas de rádio, vídeos, blogs. Esse princípio também trata da democratização das Tecnologias de Informação e Educação (as TICs), bem como estimular a democratização do uso das ferramentas por meio do ensino (crítico) a partir dos recursos digitais.

3) Gestão da comunicação no espaço educativo  – Engloba o planejamento, a implementação e a avaliação de projetos e programas de Educomunicação de forma participativa. Na prática, além de produzir mídia, esse olhar sugere que os atores sociais planejem que tipo de mídia querem construir. Ou que estratégias de comunicação e produtos acham necessário implementar.

4) Reflexão epistemológica  – Corresponde à produção acadêmica sobre Educomunicação, o que contribui para as práticas e a implementação de políticas públicas.

* Baseado no artigo "C0ntribuições da relação entre Comunicação e Educação Ambiental para a gestão participativa de Unidades de Conservação", de minha autoria, publicado na revista Biodiversidade/ICMBio em 2014.

 

EDUCOM VERDE COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL